UM ESTRANHO PODER DA FÉ   (24/02/2013)
Religião
Por: Anticristo

A fé realmente tem grandes poderes, uns benéficos outros maléficos. O mais notável é o de cegar as pessoas para a realidade. O fraco se torna forte pela fé; e, pela fé, pessoas conseguem fazer coisas que parecem impossíveis. Mas, junto a isso, podemos observar que uma fé bem estabelecida é capaz de suplantar qualquer prova dos equívocos existentes nos seus fundamentos. O maior exemplo é a sobrevivência do Judaísmo e do Cristianismo após todos os fatos e descobertas científicas sobre as origens dessas religiões e os enganos dos escritores bíblicos.

O filósofo Jean Marie Arouet, mais conhecido como Voltaire, pesquisou muito as literaturas egípcias antigas, para ver se encontrava alguma referência a Israel. O que encontrou foi uma menção a um grupo de bandidos leprosos que teria sido aprisionado no Egito. Comparando várias semelhanças entre as características mencionadas, inclusive a lepra, coisa comum entre esse povo, deduziu que poderia ter sido esses aprisionados o Israel que escapara do Egito.

“A arqueologia procurou indícios do êxodo. Encontrou sinais de que habitantes de Canaã – de onde os hebreus seriam originários – podem ter migrado gradualmente para o Egito. Mas uma inscrição egípcia do século XIII A. C. faz a menção mais antiga conhecida de um povo chamado Israel, num contexto completamente inverso ao da Bíblia – diz que o povo foi dizimado em uma campanha do faraó Meneptah. Não há nenhuma prova concreta da existência de Moisés, embora fosse de esperar que um jovem criado pela família do faraó, envolvido em brigas políticas fosse citado em algum lugar. Não há nenhum indício palpável de que tenha havido um grande êxodo pelo deserto. Um povo numeroso, viajando por uma região de pouca vegetação, deveria deixar diversos vestígios arqueológicos, mas eles não existem” ” (Época, 22/12/2003, pág. 87).

Dessas análises, podemos deduzir que alguns ancestrais desse povo realmente estiveram no Egito e de lá saíram; porém não era um povo numeroso como a Bíblia diz, e Moisés, se existiu, foi seu líder, mas não no contexto prodigioso ali relatado.

De uma forma ou de outra, ancestrais desse povo saíram do Egito e se estabeleceram na Palestina. Mas, se o tivesse feito da forma como descrito na Bíblia, algum outro povo teria registrado alguma coisa a respeito. Ademais, se houvesse esse deus operando tais maravilhas no passado, ele existiria e daria algum exemplo hoje também. A total ausência da manifestação direta de Yavé atualmente é uma evidência de que seus atos do passado são pura lenda.

O Pentateuco, Josué, Juízes, Reis e Crônicas mostram uma jornada de altos e baixos em que o povo era bem-sucedido quando obediente, e massacrado quando fugia aos padrões de Yavé.

Entretanto, após a reforma do templo ordenada por Josias, época que os estudiosos concluíram terem sido criados os livros que contêm os relatos miraculosos, a história se modificou completamente. Yavé não mais aparecia para ninguém, só falando pela boca dos profetas, não operava mais as maravilhas do passado, o que é mais um testemunho do caráter lendário da história dos patriarcas, juízes e reis.

A primeira prova do blefe foi a morte de Josias. Se ele tivesse sido escolhido por um deus todo poderoso para unificar e libertar do povo do poder assírio, não teria morrido em combate sem atingir o objetivo divino (II Crônicas, 35: 20-22). Só a fé impede a pessoa de ver isso.

Em seguida, veio a promessa, dada pelo profeta Miquéias, de um “messias” de “Belém”, que abateria a Assíria, estabelecendo um reino de perpétua paz para o povo de Israel:

“Mas tu, Belém Efrata, posto que pequena para estar entre os milhares de Judá, de ti é que me sairá aquele que há de reinar em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade. Portanto os entregará até o tempo em que a que está de parto tiver dado à luz; então o resto de seus irmãos voltará aos filhos de Israel. E ele permanecerá, e apascentará o povo na força do Senhor, na excelência do nome do Senhor seu Deus; e eles permanecerão, porque agora ele será grande até os fins da terra. E este será a nossa paz. Quando a Assíria entrar em nossa terra, e quando pisar em nossos palácios, então suscitaremos contra ela sete pastores e oito príncipes dentre os homens. Esses consumirão a terra da Assíria à espada, e a terra de Ninrode nas suas entradas. Assim ele nos livrará da Assíria, quando entrar em nossa terra, e quando calcar os nossos termos. E o resto de Jacó estará no meio de muitos povos, como orvalho da parte do Senhor, como chuvisco sobre a erva, que não espera pelo homem, nem aguarda filhos de homens. Também o resto de Jacó estará entre as nações, no meio de muitos povos, como um leão entre os animais do bosque, como um leão novo entre os rebanhos de ovelhas, o qual, quando passar, as pisará e despedaçará, sem que haja quem as livre. A tua mão será exaltada sobre os teus adversários e serão exterminados todos os seus inimigos. Naquele dia, diz o Senhor, exterminarei do meio de ti os teus cavalos, e destruirei os teus carros; destruirei as cidade da tua terra, e derribarei todas as tuas fortalezas. Tirarei as feitiçarias da tua mão, e não terás adivinhadores; arrancarei do meio de ti as tuas imagens esculpidas e as tuas colunas; e não adorarás mais a obra das tuas mãos. Do meio de ti arrancarei os teus aserins, e destruirei as tuas cidades. E com ira e com furor exercerei vingança sobre as nações que não obedeceram.” (Miquéias, 5: 2-15). Ver detalhes em O PREDITO MESSIAS E O CRISTIANISMO.

Novamente, o fracasso divino. Não surgiu nenhum messias libertador. A Assírio caiu, mas sob o poder da Babilônia.

Não desconfiaram da falta de cumprimento da profecia. Pensaram que o messias vivia para destronar Babilônia; mas essa também só caiu sob o reino Medo-Persa.

A Medo-Pérsia também perdeu o poder, mas para Alexandre Magno, o grande grego. Nada do messias belemita. E a fé não se abalou. O povo continuou esperando que um dia viesse esse “messias”.

A Grécia passou, veio Roma. E aquele povo de grande fé não perdeu a esperança. Nem se deram conta de que o messias deveria vir para destronar a Assíria, e essa ficara séculos para trás.

Nos dias romanos, surgiram alguns dizendo-se o messias. Mas foram todos mortos pelos romanos, entre eles o “Jesus” de Nazaré, que os cristãos afirmam ter nascido em Belém.

Não obstante a morte de Jesus, a nova doutrina, RESSURREIÇÃO DOS MORTOS, sob o comando de Paulo, grassou pelo Império, e um dia, séculos depois, um imperador foi convencido pelo Cristianismo, e aí estava aberto o caminho para a religião dominar o mundo.

Completamente diferente do restante do Velho Testamento, apareceu o livro de Daniel com um linguagem cristã, falando de ressurreição dos mortos (Dan. 12: 2, 13) e apresentando quatro reinos, perfeitamente enquadráveis a Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia e Roma, após os quais deveria ser estabelecido o reino divino (Daniel, 7: 1-27).

Depois, veio o Apocalipse, contendo muitas semelhanças com Daniel, mas trazendo um quinto poder humano bestial antes do reino eterno, que teria uma nova Jerusalém bem diferente daquela prevista por Isaías (Isaías, 65 e 66).

A besta que surge “do mar”, tendo domínio sobre o povo santo por “quarenta e dois meses” (Apoc. 13: 1-7), não resta dúvida, seria o mesmo quarto animal de Daniel 7. Mas, em vez de vir em seguida o reino divino como registrado em Daniel, João teria visto uma segunda besta (Apocalipse, 13: 11, 12), que teria que ter sido um quinto animal na lista de Daniel.

Essa besta não estava na visão de Jesus segundo Mateus e Lucas. Ele teria dito, referindo ao cerco e destruição de Jerusalém, que ocorreu no ano 70:

“Quando, pois, virdes estar no lugar santo a abominação de desolação, predita pelo profeta Daniel (quem lê, entenda)” (Mateus, 24: 15), ou "Quando, pois virdes Jerusalém sitiada de exércitos, sabei que está próxima a sua devastação" (Lucas, 21: 20).
“porque haverá então uma tribulação tão grande, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá.” (versículo 21). Isso seria uma cópia das palavras de Daniel: “e haverá um tempo de tribulação, qual nunca houve, desde que existiu nação até aquele tempo” (Daniel, 12: 1).

Logo depois da tribulação daqueles dias, escurecerá o sol, e a lua não dará a sua luz; as estrelas cairão do céu e os poderes dos céus serão abalados. Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão vir o Filho do homem sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com grande clangor de trombeta, os quais lhe ajuntarão os escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus
” (Mateus, 24: 29, 30).

Passaram vinte séculos, o Sol continua brilhando, e as estrelas não caíram nem jamais cairão, porque é fisicamente impossível dadas a suas dimensões de milhares e milhões de vezes o tamanho da Terra. Mas os hebreus continuam esperando aquele messias, que, se tivesse de existir, teria vindo nos dias da Assíria (”Quando a Assíria entrar em nossa terra, e quando pisar em nossos palácios”, dissera Miquéias). E os cristãos continuam aguardando o retorno de Jesus, que os romanos mataram, e se irritam sobremodo, quando nós apresentamos todos esses equívocos dos que viram o futuro e toda a evidência da natureza lendária dos ditos prodígios divinos do passado. E alguns ainda classificam como absurdo o que mostramos. É por isso, que digo que a fé tem, entre vários poderes, o de cegar as pessoas para não verem a realidade.

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