ESSA ESTÓRIA DE CORDEIRO DE DEUS   (13/03/2013)
Religião
Por: Anticristo

Os evangelhos afirmam que, quando Jesus foi ao encontro de João para ser por ele batizado por no Rio Jordão, João disse ao vê-lo: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo". Mas essa estória de "Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo", segundo se pode ver nas próprias entrelinhas dos evangelhos, deve ter sido criada bem depois a morte de Jesus.

Nos dias do Império Medo-Persa, um dos profetas hebreus predissera:

Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que vem a ti o teu rei; ele é justo e traz a salvação; ele é humilde e vem montado sobre um jumento, sobre um jumentinho, filho de jumenta. De Efraim exterminarei os carros, e de Jerusalém os cavalos, e o arco de guerra será destruído, e ele anunciará paz às nações; e o seu domínio se estenderá de mar a mar, e desde o Rio até as extremidades da terra... O Senhor dos exércitos os protegerá; e eles devorarão, e pisarão os fundibulários; também beberão o sangue deles como ao vinho; e encher-se-ão como bacias de sacrifício, como os cantos do altar” (Zacarias, 9: 9, 10, 15).

Yeshua, Jesus, conhecedor de tal profecia, cuidou de fazer exatamente o que estava escrito.

Quando se aproximaram de Jerusalém, e chegaram a Betfagé, ao Monte das Oliveiras, enviou Jesus dois discípulos, dizendo-lhes: Ide à aldeia que está defronte de vós, e logo encontrareis uma jumenta presa, e um jumentinho com ela; desprendei-a, e trazei-mos. E, se alguém vos disser alguma coisa, respondei: O Senhor precisa deles; e logo os enviará. Ora, isso aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta: ‘Dizei à filha de Sião: Eis que aí te vem o teu Rei, manso e montado em um jumento, em um jumentinho, cria de animal de carga.’

Indo, pois, os discípulos e fazendo como Jesus lhes ordenara, trouxeram a jumenta e o jumentinho, e sobre eles puseram os seus mantos, e Jesus montou. E a maior parte da multidão estendeu os seus mantos pelo caminho; e outros cortavam ramos de árvores, e os espalhavam pelo caminho. E as multidões, tanto as que o precediam como as que o seguiam, clamavam, dizendo: Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!

Ao entrar ele em Jerusalém, agitou-se a cidade toda e perguntava: Quem é este? E as multidões respondiam: Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galiléia.

Então Jesus entrou no templo, expulsou todos os que ali vendiam e compravam, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas; e disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a fazeis covil de salteadores
” (Mateus, 21: 1-13).

Aí estava o começo. Estava chegando um libertador para eliminar a submissão aos romanos. Suas reformas já estavam começando com a expulsão dos comerciantes dentro do templo. Mas como tudo que vai contra a economia enfrenta dificuldade, aí estava o maior obstáculo. Jesus não teria apoio das autoridades.

Outra passagem deixa-nos perceber algo diverso da mensagem de mansidão de Jesus.

"E eis que um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão, puxou da espada e, ferindo o servo do sumo sacerdote, cortou-lhe uma orelha" (Mateus, 26: 51). Isso nos dá a entender que os discípulos de Jesus não eram aqueles pacatos e desarmados, mas carregavam espadas.

À semelhança de outros que tentaram libertar aquele povo, Jesus certamente não foi apoiado pelas autoridade, não conseguindo reunir guerreiros para combater os romanos, resultando disso sua morte.

Morto o herói, seus seguidores cuidaram de encontrar o meio de convencer o povo. Como já era conhecida a crença romana de um deus chamado Dionísio, nascido de uma virgem e morto e ressuscitado, aplicaram a mesma teoria a Jesus: começaram a pregar que Jesus havia ressuscitado no terceiro dia após sua crucifixão e breve retornaria para acabar com o império romano e estabelecer aquele reino eterno predito pelos profetas. Dessa forma, eles imaginavam reunir toda nação em torno daquele ideal. Entretanto, as autoridades religiosas, bem conhecedoras das profecias, perceberam que nada estava predito para o libertador morrer e ressuscitar, mas que ele derrotaria o poder inimigo, estabelecendo o reino. A própria profecia que falava do rei entrando na cidade montado no jumento dizia: "O Senhor dos exércitos os protegerá; e eles devorarão, e pisarão os fundibulários; também beberão o sangue deles como ao vinho; e encher-se-ão como bacias de sacrifício, como os cantos do altar”. Assim, não deram crédito aos discípulos de Jesus, e estes partiram para convencer os outros povos.

Paulo, antigo perseguidor dos cristãos e convertido ao cristianismo, inicialmente acreditava que Jesus retornaria ainda nos seus dias. Isso ele expressou claramente em uma carta ao povo de Corinto:

"Eis aqui vos digo um mistério: Nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos serão ressuscitados incorruptíveis, e nós seremos transformados" (I Coríntios, 15: 51, 52).

Os escritores dos evangelhos, mais de quarenta anos após a morte de Jesus, quando já não devia haver quase ninguém que fosse testemunha dos fatos, cuidaram de transcrever descontextualizadamente textos das escrituras sagradas hebraicas, transpondo para Jesus o que os romanos criam sobre Dionísio, com alguns aperfeiçoamentos. Assim, Jesus passou a ser considerado um filho de Yavé nascido de uma virgem destinado a morrer pelos pecados do mundo como os cordeiros que eram sacrificados desde séculos pelos pecados da nação.

Nunca um profeta hebreu predisse nem a lei mosaica prometia que um dia os sacrifícios de cordeiros fosse substituídos por um sacrifício pessoal. A própria profecia utilizada por Jesus ao expulsar os comerciantes do templo dizia:

"Assim diz o Senhor: Mantende a retidão, e fazei justiça; porque a minha salvação está prestes a vir, e a minha justiça a manifestar-se. Bem-aventurado o homem que fizer isto, e o filho do homem que lançar mão disto: que se abstém de profanar o sábado, e guarda a sua mão de cometer o mal. E não fale o estrangeiro, que se houver unido ao Senhor, dizendo: Certamente o Senhor me separará do seu povo; nem tampouco diga o eunuco: Eis que eu sou uma árvore seca.
4 Pois assim diz o Senhor a respeito dos eunucos que guardam os meus sábados, e escolhem as coisas que me agradam, e abraçam o meu pacto: Dar-lhes-ei na minha casa e dentro dos meus muros um memorial e um nome melhor do que o de filhos e filhas; um nome eterno darei a cada um deles, que nunca se apagará. E aos estrangeiros, que se unirem ao Senhor, para o servirem, e para amarem o nome do Senhor, sendo deste modo servos seus, todos os que guardarem o sábado, não o profanando, e os que abraçarem o meu pacto, sim, a esses os levarei ao meu santo monte, e os alegrarei na minha casa de oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no meu altar; porque a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos" (Isaías, 56: 1-7).

Os evangelistas quiseram convencer o mundo de que Jesus nascera para morrer em sacrifício pelo povo, ressuscitar e vir posteriormente estabelecer o predito reino eterno. Mas deixaram transparecer o plano desse Jesus na narração de alguns episódios como a entrada dele em Jerusalém. Essa história de "Cordeiro de Deus" foi uma última saída para convencer o mundo.

Para entender bem como os textos dos profetas foram descontextualizados para se aplicarem a Jesus, leiam O PREDITO MESSIAS E O CRISTIANISMO

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