CIPA Um convite à mudança   (29/08/2012)
Teses / Monólogos
Por: Sergio Roberto da Silva

CIPA A Comissão Interna de Prevenção de Acidentes é vista por muitos como um meio de sobrevivência em tempos de crise. No famoso “facão”, felizes são àqueles que gozam da estabilidade de emprego. Em contra partida, ruim para a imagem deste grupo, criado para contribuir na prevenção de acidentes do trabalho. CIPA não é “cabide de emprego”, muito menos um “mal necessário”. É a representação do trabalhador na busca de um ambiente de trabalho mais seguro.

Tarefa difícil ao SESMT é fazer com que a CIPA seja vista com bons olhos pelo empregador e até mesmo pelos empregados. Necessário se faz buscar meios para promover a CIPA, com ações que contribuam positivamente para a imagem deste grupo de trabalho tão importante dentro da empresa.

Infelizmente, quando pensamos em CIPA, visualizamos um processo eleitoral burocrático e desmotivador, tanto para a Comissão Eleitoral, quanto para os eleitores. Somente os candidatos, de certo modo, se satisfazem durante o evento. Porém, uma vez empossados, geralmente não atuam como deveriam, quando muito comparecem a umas poucas reuniões ordinárias.

O que podemos fazer para quebrar este paradigma? Quais ferramentas podem ser aplicadas para melhorar a imagem deste grupo? Como podemos motivar o cipeiro a atuar e fazer uma boa gestão? Isto só será possível quando dermos o devido valor a CIPA, e contribuirmos com sua promoção, de forma inovadora e participativa.

Algumas dificuldades para uma CIPA atuante e participativa:

1.    Realização do processo eleitoral apenas para o cumprimento da norma.

2.    Insatisfação por parte dos organizadores; Divulgação básica, limitada aos editais obrigatórios; Falta de inovação.

3.    Descumprimento dos itens da NR5, que gera descrédito por parte dos empregados; Dimensionamento/enquadramento inadequado da CIPA; Falha no atendimento aos prazos estabelecidos; Reinício do processo eleitoral; Falha na divulgação dos editais; Atitudes não fundamentadas na norma.

4.    Curso superficial e/ou com carga horária reduzida, ou até mesmo a falta deste.

5.    Falta de liberdade para participação nas reuniões ordinárias e demais atribuições.

6.    Ambiente inadequado para as reuniões, e falta de recursos para atuação satisfatória.

7.    Falta de fiscalização por parte do MTE e/ou Sindicato.

Dicas para uma CIPA motivada e atuante:

Tudo começa com um processo eleitoral sério e ético que vá além do estabelecido pela norma, visando à participação tanto dos candidatos quanto dos eleitores. Um processo eleitoral dinâmico e inovador, com uma comissão eleitoral autêntica e motivada. Muita informação e ampla divulgação, antes, durante e depois dos trabalhos.

1.    Buscar a automotivação e a excelência.

2.    Na medida do possível aderir ao meio eletrônico de votação. Existem várias opções para isso (votação online, urna do governo, programa próprio de votação). Na inviabilidade do uso de urna eletrônica, promover melhorias no processo eleitoral por cédulas e urna: Um local adequado para instalação da comissão eleitoral e demais recursos necessários. Uma urna nova ou a antiga revitalizada/decorada, cédulas de votação bem elaboradas, cartazes coloridos, exposição dos candidatos, auxílio na criação de slogan, liberdade à candidatura e a ampla divulgação e autopromoção (santinhos, brindes, etc.).

3.    Divulgação dos editais por todos os meios possíveis (intranet, e-mail, quadro de aviso nas diversas áreas).

4.    Realizar todo o processo eleitoral com excelência, com transparência, dentro do estabelecido pela norma. Evitar atitudes que promovam a desconfiança dos trabalhadores. Procurar envolver os candidatos em todas as fases do processo eleitoral, assim como divulgar o andamento deste.

5.    Oferecer um curso de prevenção de acidentes dentro da realidade e perfil da empresa (o uso de slides de outros profissionais ou empresas baixados da internet, até mesmo por prestação de serviços pode comprometer a qualidade do evento, e a satisfação do cursando). Procure desenvolver seu próprio curso, visando aproximar ao máximo os assuntos à realidade dos trabalhadores. Quando contratar alguém para ministrar o curso, garantir que o conteúdo atenda o currículo e a carga horária estabelecida pela norma. Realizar verificação do aprendizado e satisfação do treinando. Vale lembrar que a norma estabelece o mínimo, podendo ser ampliado conforme sua necessidade. Assim como, os membros que já cursaram em outras gestões devem assistir o curso novamente, pois além de necessário, conhecimento nunca é demais.

6.    Viabilizar a participação de todos os membros da CIPA, efetivos e suplentes, em todas as reuniões e demais atividades como, a inspeção de segurança e investigação de causas de acidentes. É fato que alguns cipeiros apresentam justificativas pela ausência, mas a maioria delas incabíveis. Na verdade a ausência ocorre por simples esquecimento, descaso, e até mesmo produção.

7.    Uma sala limpa, mobiliada e um cafezinho faz toda diferença, afinal todas as outras reuniões realizadas na empresa tem isso, não é?

Essas e outras ações como um e-mail exclusivo da CIPA, página na internet, SIPAT organizada e com efetiva participação da comissão, mapa de risco elaborado pelos cipeiros e com a participação dos trabalhadores, envolvimento dos membros da CIPA em alguns trabalhos realizados pelo SESMT, podem promover a CIPA e garantir uma gestão que ficará na memória de todos.

Por Sergio Roberto – Téc. Segurança do Trabalho



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